Tal pai, tal filho

1:8 – “Filho meu, ouve a instrução de teu pai, e não deixes o ensinamento de tua mãe,

Instrução e ensinamento. Parecem a mesma coisa, mas podem ter uma diferença fundamental. Um pode ser teórico enquanto o outro é prático.

A diferença é muito tênue. Diria até que a diferença depende do contexto. Nessa abertura de livro, Salomão diz que irá escrever provérbios. Portanto, estamos falando de ensinamentos teóricos. Mas muitos dos provérbios nascem da observação dos fenômenos cotidianos, vários são conclusões da observação de causa-efeito.

Contudo, o desafio é o de que tanto a instrução quanto o ensinamento sejam práticos. Quando nos manda olhar para os nossos pais e aprender com eles, este trecho poderia até nos ‘isentar’ de algumas falhas. Afinal, só repetimos o modelo que conhecemos.

Porém, quando nós nos tornamos pais e mães, a coisa muda pro nosso lado. Nós seremos o exemplo. Aquilo que fizermos será copiado pela próxima geração.

 

Quando minha filha aprender a ler esta pequena passagem, qual instrução e ensinamento ela irá seguir olhando para a minha vida?

Uma questão de princípios

1:7 – “O temor do Senhor é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução.

As ciências têm seus princípios. São verdades sobre as quais uma teoria é construída, os pontos de partida de um pensamento que faz sentido, se desdobra e leva a grandes descobertas.

O conhecimento tem seu princípio, tem sua base sobre que se apoiar. Ser sábio não é conseguir explicar o mundo tirando Deus da equação. Também não creio que seja explicar o mundo colocando Deus em todo lugar em que uma razão seja desconhecida.

Temor do Senhor é compreender que enquanto nos compararmos uns aos outros, sempre haverá superioridade e inferioridade e que, à medida em que adquirirmos conhecimento, tomamos a prerrogativa de nos orgulharmos disso. Somos todos iguais. E somos nada comparados a quem rege tudo. Por isso entender que há Deus e que Ele está por trás – ou permeando intrinsicamente – todo o conhecimento faz de nós seres que, quanto mais conhecemos a ele, mais adquirimos conhecimento direto da fonte.

 

Eu não quero ser louco, não quero desprezar a sabedoria e a instrução. Quero partir do princípio correto, pois a construção erguida sobre um alicerce firme não será derrubada quando vierem as tempestades.

As entrelinhas

1:6 – [quem tem discernimento obterá orientação] “para compreender provérbios e parábolas, ditados e enigmas dos sábios.

Nem sempre é fácil interpretar o contexto. Ouvir o que se está ao redor. Ler as entrelinhas.

É um mundo hostil esse em que vivemos. Nem sempre percebemos como outros estão tentando tirar vantagem de nós, passando-se por companheiros.

Nos provérbios há discernimento para entender esses meandros do comportamento humano que nos ajudarão a ler de maneira menos ingênua o que acontece conosco dentro dos relacionamentos que travamos. Claro que há as relações genuínas, que há o interesse real pelo bem, mas há também muito que não é isso.

 

Que à medida que refletirmos sobre a sabedoria de quem teve que lidar com todo o tipo de artimanha, politicagem, malandragem e má-fé, nós também adquiramos um pouco mais desse jogo de cintura. A leitura correta, sem julgamentos precipitados – para o bem ou para o mal – das intenções e consequências das interações com os outros pode nos levar a uma vida com um pouco mais de paz.

Só sei que nada sei

1:5 - "Se o sábio der ouvidos, aumentará seu conhecimento, e quem tem discernimento obterá orientação."

Humildade é o nome do jogo. Entender que, por mais que saibamos, nosso conhecimento é um grão de areia perto do que há.

Quando eu perco essa noção, eu também me perco. Daí vem o orgulho. Daí vem a queda. 

A genuína sabedoria está em estar aberto a ouvir e em procurar ajuda. E também em tomar decisões, sem querer acertar todas. Saber que vai errar e isso também é aprender. Ser sábio tem a ver com aprender com as cabeçadas e com procurar orientação na hora em que estiver perdido. Tem a ver com saber que às vezes é preciso parar, respirar, olhar pra frente e não tomar uma decisão precipitada.

Espero que hoje eu tenha a chance de exercer sabedoria e discernimento, sem meter os pés pelas mãos.

 

https://www.youtube.com/watch?v=cpzzZOi7a0s

Eu já fui jovem

1:4 - [Estes provérbios ajudarão a] "dar prudência aos inexperientes e conhecimento e bom senso aos jovens."

Às vezes me passo pensando em como a juventude passou rápido. Há 20 anos eu era jovem. Hoje me sinto jovem, mas não posso dizer que estou na flor da idade.

Mesmo assim, ainda sou inexperiente em muitas coisas. Nunca fui pai de uma criança de 4 anos com suas perguntas espertas e respostas ainda mais perspicazes. Em raras vezes antes me via em situações em que as pessoas procuram tanto por direcionamento como agora. Cada um de nós é inexperiente em algo que ainda está por viver.

Gosto do texto de Renato Russo, quando ele alertava que os pais 'são crianças como você, o que você vai ser quando você crescer' e me fazia pensar nos desafios que ainda estavam por vir.

Aprender para viver experiências novas e repassa-las aos mais novos. A quem é jovem, meu conselho é o milenar 'ouça os mais velhos'. Eles podem ser inexperientes em muitas coisas, mas ajudarão vocês a ter bom senso.

Conhecimento que gera ação

1:3 - [Estes provérbios ajudarão a] "viver com disciplina e sensatez, fazendo o que é justo, direito e correto;"

Na minha área de atuação, uma das maiores cobranças é para que nossas recomendações a algum cliente sejam 'acionáveis', isto é, possam se converter em ações e, daí, os resultados serão colhidos de forma mais clara.

Os provérbios foram escritos de forma também 'acionável'. Não pretendem ser palavras bonitas, meramente; também não são apenas para aumentar o conhecimento, fazendo de quem os lê intelectuais que se gabam de citar provérbios de um famoso rei. Ele é bem claro: para ajudar a viver com disciplina, sensatez e fazendo o que é justo, direito e correto. 

Conhecimento que gera ação deixa de ser só conhecimento e vira vida. Se parar pra pensar um pouquinho, eu tenho quase certeza que as pessoas a quem mais admiro são aquelas que não ficam só no 'bla-bla-bla', mas que mostram ações concretas. Essas por sua vez, não são ações quaisquer: são justas, direitas e corretas.

Eu peço a Deus que me ajude a transformar em ação tudo o que estará nesse blog de aqui em diante.

Conhecimento, Sabedoria, Instrução, Entendimento e Prudência

1:2 - "Para se conhecer a sabedoria e a instrução; para se entenderem as palavras da prudência."

Aqui Salomão começa a dizer porque resolveu registrar os provérbios e a sequência é interessante: conhecer a sabedoria. Existe uma sabedoria pairando, ele sentiu que existia sabedoria nas coisas que as pessoas falavam ou nas metáforas que lhe vinham à mente. A sabedoria está aí, precisamos conhecê-la. Também é preciso conhecer a instrução, isto é, o ensino. A sabedoria existe e com ela deveria existir quem a transmitisse. Sabedoria e ensino existem para que sejamos mais prudentes, para evitar situações que nos causem dano.

Certamente no dia de hoje seremos colocados, em maior ou menor grau, diante de uma situação que exigirá sabedoria e prudência. Por isso é importante seguir conhecendo a sabedoria e compartilha-la de forma que aqueles que estão perto de nós sejam alcançados pela nossa sabedoria e nós pelas deles. A quem posso transmitir sabedoria HOJE? E como?

O legado de um pai

A intenção é fazer uma série de micro-reflexões sobre os Provérbios de Salomão.

1:1 - "Provérbios de Salomão, filho de Davi, rei de Israel:"

Quando se propôs a escrever seus provérbios, Salomão se apresenta dessa maneira breve: filho de Davi, rei de Israel. Ele próprio era as duas coisas.

Alguém que se propõe a escrever sobre sabedoria começa o seu livro dando referências de onde vem. É a 'orelha' do livro, aquela que fala sobre o autor.

Numa época sem sobrenomes, dizer de quem se é filho é uma referência importante. Reflexão simples: se nossos filhos fossem escrever um livro sobre sabedoria, teriam orgulho em colocar nosso nome logo na abertura como fez Salomão? Como minha vida pode hoje impactar a minha filha para que ela tenha a tranquilidade de apresentar-se como tal?

Deus nos ajude a escrever com sabedoria a história de nossa próxima geração.

Un poema chico

Y tú? Donde estás que a mi no venis a consolar?

Mi corazón desperado tiene ganas de a tu sonrisa ofrecer

De vuelta el calor que un día te ha hecho sospirar.

(Ivan Oliveira em momento "España, te extraño")

A Casa do Pai

Noite dessas tive um sonho. Quem me vê contando nem sempre acredita, a menos que já me tenha ouvido falar dos meus sonhos. 

Pois eu sonhei que estava no Céu. Ao que me consta, não tinha morrido, foi só um passeio. E o Céu se parecia com um imenso Resort, daqueles com tudo-incluso-até-as-bebidas. Piscinas lindas, enormes, gente se esbaldando, brincando muito. Um céu (celeste, não celestial) de um azul limpíssimo e uma temperatura convidativa deixavam os mergulhos ainda melhores. 

Não cheguei a cair na água. Vi a turma por ali se divertindo, correndo, mergulhando ou simplesmente tomando um sol. De repente pensei: "Se isso aqui é o Céu, onde está Deus?"

Perguntei pra um, perguntei pra outro, mas ninguém parecia muito se importar se "o homem" estava ali. Até que alguém apontou um sujeito simpático, bem vestido, de calça jeans e camisa de manga comprida, mas com os punhos enrolados, como se estivesse ali a trabalho, ao contrário de todos nós:

- Olha Jesus ali. Quer saber de Deus? Pergunta pra ele. 

Me aproximei com uma certa intimidade, ainda que estranhando aquela figura que não tinha absolutamente nada a ver com as imagens que eu cresci vendo nas igrejas. 

- Jesus! Tudo bem?

- Oi, Ivan. (Achei impressionante ele saber o meu nome!). Está precisando de alguma coisa?

- Na verdade, não. Mas eu queria conhecer Deus. Esse aqui não é o Céu?

Ele deu um sorriso, me abraçou e apontou um senhor, que não aparentava mais do que 60 anos.

- Deus está ali. Vamos falar com Ele.

Mais estranheza. Mas tudo bem. Isso aqui é sonho e eu quero mesmo conhecer a Deus.

- Olá, Senhor!

- Olá, Ivan. Então você queria me conhecer pessoalmente?

- Claro que sim! Que honra! Que honra!

- E por que você queria me ver?  - ele respondeu calmo e sorridente.

- Porque isso aqui é o Céu, não é? Como é que vai existir Céu se não existir Deus? E essas pessoas todas aqui te adorando? Como é isso?

Deus me abraçou e com a mão em volta do meu ombro me convidou para subir em um elevador.

Chegando ao andar de cima, era a construção mais linda que eu já vi na vida!!! Pisos de mármore reluzentes e imensas portas que davam para o corredor. As portas e o teto eram tão altos que eu me sentia um menino levado pelas mãos. 

- Ivan, sei que você está espantado. Todo mundo fica assim quando entra aqui pela primeira vez. 

- É IN-CRÍ-VEL!

- Esse andar de cima é só pra quem quer me conhecer. Quem não quer nem saber de mim fica lá em baixo aproveitando as piscinas. Mas quem quer saber de mim - ah!, esse tem passe livre!

Continuamos caminhando pelo imenso corredor e chegamos a um saguão igualmente enorme. Era como se o teto fosse todo de cristal e mosaicos se formavam no piso. 

Eu olhei para baixo e vi as pessoas se divertindo nas piscinas. Pouco mais no canto um grupinho brigava pelo direito de usar o chuveiro, vi um homem que parecia gritar com sua mulher e vi crianças sem o cuidado dos pais, quase apanhando.

Perguntei para Deus: 

- Deus, o senhor não acha que isso está meio vazio?

- 4... 5.... 6..... 7........ Daqui a pouco eles chegam.

- De onde? 

- Da Grande Celebração. Você chegou bem na hora. Deixa eu te mostrar uma coisa.

Voltamos para o corredor central e Ele foi me dizendo: 

- Aquela porta é a de Isaías. Do lado está a de Naum e logo ao seu lado são os aposentos de Lucas.

Eu não conseguia parar de admirar a beleza. Acordei me sentindo muito mais próximo de Deus, muito menos culpado de erros do passado. Antes de me despedir, ainda fiz uma pergunta:

- E o Inferno? Existe?

Deus olhou para mim, deu um sorriso, voltou a me abraçar e saiu sem dizer uma palavra. Foi só aí que acordei de verdade. :) 

O que escrever em 3 minutos

Olho para o relógio e faltam apenas 3 minutos para o "expediente" começar oficialmente. Não existe isso por aqui onde trabalho, mas decidi escrever por 3 minutos o que me viesse à cabeça.

E o que me vem é que as manhãs de 6a feira sempre me pareceram mais especiais do que as outras 4 manhãs que a antecederam na semana de trabalho. Portanto, em 3 minutos espero conseguir escrever uma pequena homenagem a elas:

Manhãs iluminadas, cheias de manha

Me tragam o fim-de-semana

Me façam pensar que o dia será curto e a diversão já vem.

Manhãs de 6a feira, quero teus aromas de novidade,

Quero os bons momentos que vocês antecipam,

Manhãs de 6a feira. O peixe está no forno, o plano na cabeça.

Obrigado por trazer esperança.

 

Eu, herege.

 

Recentemente utilizei o Facebook para expressar ideias que tenho amadurecido nos últimos anos. Ideias que levam anos para amadurecer e que tentam ser traduzidas em poucos parágrafos têm grandes chances de ser mal interpretadas – ou nem sequer entendidas. De “Pensador” a “Herege”, foram várias as manifestações. Mas tudo o que eu fiz foi apenas me expressar.

 

Ainda sob o grande risco de continuar sendo mal interpretado – ou, sequer, entendido – opto por utilizar esse espaço e não o mural público do Facebook para tentar explicar um pouco melhor de onde vem meu pensamento – e também de onde ele NÃO vem.

O objetivo é mostrar que interpretações da Bíblia podem ser diferentes e isso não faz delas heresias. São apenas modos de ver, formas de acreditar. No fim, elas levam para o mesmo lugar: o entendimento de que há Deus, há pecado, há necessidade de Redenção e há um futuro que já foi desenhado antes que o Tempo tivesse sido criado.

 

Foram minhas próprias reflexões, com praticamente nenhuma influência externa, que me levaram às conclusões a que tenho chegado. Elas ainda não são definitivas – e talvez nunca sejam, porque a graça da viagem está justamente em conseguirmos nos adaptar e amadurecer nossas convicções à medida que o tempo passa.

Pensei, discuti, repensei e comecei a escrever. E foi só compartilhar a ideia no Facebook para receber algumas das opiniões que já mencionei. Herege, eu?

Com poucas palavras já recebi na testa, sem nem ver de onde vinha, o rótulo: Universalista. Eu ainda não tinha ouvido essa expressão, era nova para mim. E a força com que se levantaram me surpreendeu. Eu não sou Universalista, não sei o que o Universalismo prega – mas, ainda assim, fui rotulado. Resolvi NÃO buscar mais informação sobre o assunto, justamente para não ser influenciado e começar a me achar um Universalista. Então repito que as minhas convicções são minhas próprias e que as influências que recebi de fora são poucas e bastante pontuais.

Eu acredito que não haverá pessoas no inferno. Não haverá humanos no inferno. Ao contrário do pouco que estudei que o Universalismo prega, eu acredito em inferno – e que ele é um lugar destinado para o diabo e seus anjos. Mas deixei de acreditar que há humanos ali – ou que um dia haverá.

 

Diante das reações de pessoas próximas, eu parei para pensar no que eles estavam dizendo. A minha proposta é esta: que se pare para pensar no que o outro está dizendo e não simplesmente haja uma repulsa imediata baseada em convicções sedimentadas e imutáveis. Deus nos fez de barro para que fôssemos maleáveis. Se quisesse seres rígidos teria nos criado a partir de rochas ou metais duros.

E minha reflexão me faz concluir, por enquanto, o seguinte: que tem lugar pra todo mundo. Quando se olha para a Bíblia temos a possibilidade de interpretações tão variadas que vão do 8 ao 80. Falando sobre a Salvação, tem gente que acredita, com muita propriedade bíblica, que os salvos foram predestinados. Que não há escolha: ou você já foi escolhido, ou não foi. Sorte de quem foi. Azar de quem não. Em contraposição a isso há os que defendem, com igual rigor bíblico, que existe o livre arbítrio e que a eleição é (quase) uma heresia. Eu escolho aceitar ou não a Salvação – desde que ela me seja oferecida. E há os que, como eu, creem que a Salvação não escolhe alvo – ela é para todos. Um dia todos os humanos reconhecerão que Jesus Cristo é o Senhor, que Ele veio para trazer a salvação – e todos serão salvos.

Essas 3 interpretações tem o mesmo cerne: Deus criou o Homem. O Homem pecou e se afastou de Deus. Jesus se ofereceu como sacrifício único e suficiente para restabelecer a comunhão do Homem com Deus. Isso é imutável. Isso está na Bíblia – e também em outros textos sagrados de outras religiões, mas que não chegamos a estudar. É nisso que eu acredito.

(CONTINUA)

 

 

 

 

 

Quem sabe?

 

Quem sabe...

Como eu disse anteriormente – e aos que estão vindo aqui pela primeira vez – esse blog é onde esparramo minhas ideias. É um lugar onde eu digo o que penso e aceito todo e qualquer tipo de crítica, opinião, contraposição, apoio... o que quero é ver as pessoas comentando, fazendo deste também, de alguma forma, seu fórum.

Nem sempre – ou ainda, quase nunca – vou responder aos comentários. Acho que eles são as impressões digitais que se quis deixar aqui para que outros venham, vejam, concordem (ou não) e assim se faça uma coletânea de pensamentos interessantes e válidos.

Conta-se uma parábola chinesa em que dois homens vinham no caminho, um ao encontro do outro, cada um com uma ideia. Eles se encontraram, um contou sua ideia para o outro e cada um foi embora com duas ideias. Minha segunda intenção aqui é essa: que haja expressão e reflexão. Que a gente possa olhar o que o outro está vendo e não rejeitar o ponto de vista só porque ele é diferente, mas possa levar em conta aquela verdade e, quem sabe, ela nos mude um pouquinho para melhor, nos amadureça um pouco. Quem sabe...

 

Um genuíno erro

Apontar o erro do outro é fácil. Tanto mais fácil quanto mais próximo o erro do outro estiver da minha tentação em cometer o mesmo erro, caso o outro seja próximo. Se o outro não for próximo, então talvez a facilidade em identificar o erro dele venha da minha disposição em erradicar esse tipo de erro. 

Se o outro for próximo, o erro dele pode espelhar aquilo que tento combater, ou aquilo que eu gostaria de fazer (sem ser pego com a boca-na-botija). Se o outro não for próximo, seu erro é tão gritante que me faz perguntar: “como um sujeito consegue encostar a cabeça no travesseiro e dormir com uma acusação dessas nas costas?”. É a pergunta que eu fiz as várias vezes em que vi a foto do José Genoíno nos jornais e na internet essa semana. Sabiam (claro, que sabiam) que é o dinheiro dos nossos impostos que dá a esse homem de comer (muito bem, provavelmente) todos os dias? Um Genoíno com “o” é, sem sombra de dúvidas, um erro genuíno. Porque com “o” ele já é errado mesmo, com “o” ele não precisa ser autêntico, não precisa ser... genuíno. 

Meu pai me ensinou que eu deveria estudar ferrenhamente, aprender, saber das coisas se eu quisesse crescer e ser alguém. Meus professores me estimularam a adquirir conhecimento, a deixar de ser ignorante, a ir além do que os livros diziam. E hoje, olhando para o país, é difícil dizer se houve alguma época em nossa História em que tanta gente que “não sabe de nada” consegue ganhar tanto dinheiro. Cada “eu não sabia” deles deve valer alguns milhares de dólares. É a materialização da metáfora bíblica que diz que “falar é prata, mas o silencio é ouro”. Quanto menos sabem, quanto menos falam, mais dinheiro embolsam.

 

E nós assistimos a tudo e fazemos o quê?

 

 

"The Creator Has a Master Plan"

Algumas coisas me animam um pouco, outras me entusiasmam muito. Mas há certas coisas que simplesmente poderia fazer o dia inteiro e, ainda assim, não me sentir enfadado: ouvir música e ler (ou escrever) são as duas atividades que encabeçam essa categoria.

Já há um ano e meio, praticamente, que não escrevo neste espaço. Como em outros inícios de ano, neste eu também me disponho a escrever mais - vamos ver até onde minha disciplina dá suporte à minha vontade.

Esse primeiro post de volta é curto, só para comunicar a intenção. E, "de presente", segue o link para um som que tenho curtido bastante.

http://www.youtube.com/watch?v=RiFZnIYuoxg

Cristianismo Islâmico

Eu parei pra pensar um pouco sobre as minhas aulas de História que um dia existiram. Elas me ensinaram que das muitas razões para as guerras, há duas muito fortes: dinheiro e religião.

Quando as duas coisas se misturam, o resultado pode ser ainda mais devastador. Há outras razões fortes, mas me lembrei destas duas por conta de um pensamento que há algum tempo me vem rondando. Lembrei-me das famigeradas Cruzadas e do quanto supostos cristãos e muçulmanos se enfrentaram em defesa de sua fé y otras cositas más.

Parece que essa rixa prevalece. Dia desses exibia-se nas igrejas um video falando do perigo do avanço islâmico sobre Europa e EUA. Quem ainda não viu, o video está lá no YouTube no http://www.youtube.com/watch?v=h0FsIUehdwA

Mas o que o islamismo prega de mau? Que Allah é o único Deus e Maomé o seu profeta? Não é isso que irrita os cristãos. O que mais irrita os cristãos é que os islâmicos dizem que Jesus é só mais um profeta, igual a Moisés, Abraão, Davi, Isaías. Que a autoridade dele não é diferente da de Paulo, Pedro ou qualquer um dos heróis bíblicos. Também irrita aos cristãos o fato, para tornar-se muçulmana, uma pessoa só precisa repetir 3 vezes a frase sobre Allah e Maomé.

Meu questionamento não está sobre esses pontos. Os muçulmanos creem no que lhes foi ensinado ao longo de séculos. Não estou fazendo uma defesa do islamismo ou apologia, mas constatando um fato. Então, o que estou querendo dizer com toda essa ladainha até aqui?

Primeiro, para citar um estudioso amigo meu, em que ponto nos diferenciamos dos adoradores de Allah? Nós dizemos que Jesus é o Filho de Deus, que ele tem o nome que está acima de todo nome (Filipenses 2) mas, no entanto, damos tanto ouvido a ele como damos a Moisés, a Paulo, a Davi... A palavra viva de Jesus tem há tempos enfrentado a palavra escrita e até hoje não conseguimos resolver a equação. Olhamos para a Bíblia, definida como "regra de fé e prática" e passamos a assumir que a autoridade do que qualquer um diz dentro dela é igual à de Jesus. Há algo de errado aí? A quem seguimos?

Além disso, cresci ouvindo "orações de salvação". A pessoa repete uma oração e "pimba!", está salva. Opa, isso me lembra algo de que já falamos, não? Repetir uma frase e deixar a "condenção" pela "salvação"?

Não sou teólogo e pode ser que algumas das minhas ideias estejam confusas, mas convido você a pensar comigo. A encontrar perguntas que não tenham as respostas prontas ensinadas nos bancos dos seminários teológicos.

Há muito o que se conversar. Há muito pra pensar. Há muito para fazer. Mas eu tenho certeza de que vale a pena.

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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Música