Saudades de Uma Deliciosa Tarde de Outono

A foto acima foi feita numa inesqucível quinta-feira, dia 02 de outubro de 2003. Dali a um ano e uma semana Déia e eu iríamos nos casar. E o dia foi muito especial, pois ficamos noivos na igreja que aparece aí no fundo. Nosso grande amigo Pr. Wilson Devidé celebrou a cerimônia de noivado, que contou com vários convidados!!!

Pois é... Já se vão dois anos e três meses. E olhando pela janela para a cinzenta tarde paulistana, me lembro com saudades da ensolarada tarde de Barcelona. Mas me alegra saber que o melhor daquela tarde não se perdeu. E continua a melhorar a cada dia! Bebé, eu te amo!!!!!

Artistas em família

Acho que todas as famílias, assim como os indivíduos...

...tem dons específicos. A minha família, por exemplo, tem uma ligação muito forte com a arte. Mesmo quem chega depois tem esse a ver com a gente. Quer dizer, não são todos, claro. Afinal, cada um, cada um...

Mas vejam essa coisa linda de desenho que minha prima Dry fez. Ok, ok, eu tb brinquei um pouco com o desenho. O resultado é alucinante!!!

Crônica num banco de Ônibus

O texto abaixo eu o escrevi somente dois dias depois do famoso 11 de setembro. Alguns se lembram que se passaram somente 18 minutos entre o primeiro e o segundo choque nas Torres. Espero que curtam!

Parábolas Cotidianas – Crônicas num banco de ônibus

 

Super-homem Corporativo

 

Diz a lenda que a crise chegou onde nunca se imaginaria. Clark Kent, quem diria, ficou desempregado. Mas chegaremos lá.

Nos longínquos anos 80, Clark se enamorou de sua colega de trabalho, Louise Lane. Durante sete maravilhosos anos ficaram casados, mas daí a rotina do dia a dia, o stress da grande metrópole, a pressão por resultados no trabalho começaram a se mostrar kriptonitas modernas para o nosso super-herói. Louise já começava a achar que Clark não lhe dava a atenção desejada, aquela do início do namoro, da lua-de-mel, do primeiro ano de casamento. Os pais e amigos faziam uma certa torcida exagerada pela chegada do primeiro filho do casal. Clark, travestido de super-homem, ficava até altas horas na rua, combatendo o crime, “afinal”, dizia ele, “eu sou super, mas continuo sendo um só!”.

Até que resolveram “dar um tempo”. Louise voltou a morar com a mãe, enquanto Clark manteve o apartamento. Viam-se todos os dias na redação do “Daily Planet”, mas mal conseguiam trocar palavra. Eventualmente, num de seus salvamentos Clark conheceu uma moça de quem resolveu aceitar os charmosos agradecimentos. Passaram a noite juntos.

Justo aquela noite Louise resolveu ir conversar com Clark. Chocou-se ao ver o marido entrar voando pela janela com outra nos braços. Chorou de raiva, pensou em tantas vezes que ela havia entrado voando por aquela janela daquela forma... Era a única a ter passado por isso, depois de um jantar do outro lado do mundo. Quantas vezes não voltaram voando à luz da lua cheia!

Resolveu que acabaria tudo de vez. Clark soube que ela o havia flagrado e tentou conversar com ela no trabalho. Repetidas vezes tentou se aproximar, mas ela relutantemente o evitava. Até que, ao saber que a escorregada do marido havia se repetido, resolveu aproveitar uma de suas investidas para processá-lo por assédio sexual.

Não houve advogado que o salvasse. Era o início dos anos 90 e este crime passava por aquela fase de intensa discussão na mídia. A própria mídia que Clark alimentava com histórias fabulosas agora o atacava pelas costas e o derrubava impiedosamente.

E assim ele perdeu seu emprego e, dadas as repercussões do caso, não mais conseguiu um trabalho. Resolveu, então, desmascarar-se para o mundo e assumir que era o Super-Homem que tantas vidas salvava. Mas já era um pouco tarde e o estrago à sua imagem já estava causado. Como forma de sobrevivência, resolveu oferecer seus super-dotes à Comunidade e foi trabalhar numa empresa privada de segurança. Ganhava um bom salário, especialmente porque poupava à companhia gastos com armamento, proteção e seguro-saúde.

Dizem que foi absorvido pela rotina e pelas tarefas urgentes. Num de seus últimos chamados, saiu voando para atender um prédio em chamas, atingido por um avião numa grande cidade. Enquanto se dirigia para lá, viu um gato preso em cima de uma árvore e uma menina que chorava por ele. Dizia seu contrato que deveria ajudar qualquer criatura que necessitasse auxílio. Como funcionário exemplar, desceu e devolveu o gatinho à sua dona. Um pouco mais adiante alguém tentava roubar um carro, e ele deu uma boa lição ao bandido. Mais adiante, uma senhora sentiu-se mal. Depois um senhor desesperado procurava seu netinho que marotamente se escondeu atrás de um muro. Um carro perdeu os freios e ia se espatifar contra um muro. Seqüestradores agarravam um homem de negócios. Duas crianças atravessavam a rua sem olhar. A carteira de uma jovem caía de sua bolsa enquanto corria para pegar o ônibus. Cada uma destas situações urgentes foi resolvida pelo nosso super amigo voador. E várias de outras pequenas coisas tiravam-lhe a atenção enquanto rumava para o local do acidente que realmente importava.

Por ser super, tudo isso não lhe atrasou muito para chegar ao seu destino final. Apenas 19 minutos.

 

Ivan Augusto de Oliveira

13 de Setembro de 2001

Durante um intervalo de aula

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