Romanos 1:7

Três meses depois, aqui estou novamente. Que vergonha levar tanto tempo pra atualizar um blog!

A idéia era manter um diário da minha viagem mais recente. Mas não consegui. Espero, no entanto, que este breve relato lhe comunique algo.

A viagem começou com uma certa dor na despedida. O privilégio é imenso, mas ter de viajar sozinho é duro. Contudo, à medida em que o avião se aproximava desta primeira parada, Deus me consolava o coração ao mostrar que esse seria um tempo especial.

A aeronave tocou suavemente o solo de Fiumicino 40 minutos antes do previsto. Várias coisas me surpreenderam: não havia formulário de imigração. Não havia fila na imigração! Num italiano literalmente macarrônico expliquei ao agente que iria passar oito horas na cidade antes de seguir viagem e, por isso, gostaria de sair do aeroporto.

Um trem expresso - o Leonardo Express - liga o aeroporto Leonardo da Vinci à estação Termini em apenas 31 minutos e por somente €22.00 ida e volta. A cidade eterna, Roma, está perto assim. Ainda no avião eu havia começado a ler os últimos capítulos do livro de Atos, nos quais Lucas relata os sucessivos apelos e defesas de Paulo que, por fim, o trouxeram a esta mesma cidade.

Anos antes ele havia escrito "a todos os amados de Deus que estão em Roma" (Rom. 1:7). Ler estas palavras mexeu comigo. Ali estava eu, um amado de Deus, que estava em Roma. Como aquela carta, de repente, se tornou tão pessoal! Ele prossegue: "aos chamados para ser santos, graça e paz da parte de Deus e do Senhor Jesus Cristo." Fiquei pensando no poder daquela saudação. Fiquei pensando no privilégio de poder escrever estas linhas ao sabor de um autêntico cappuccino, e comecei a me sentir muito especial, muito amado de Deus, que estava em Roma.

Mas, então, Deus me fez perceber o óbvio: que o privilégio maior era ser amado de Deus, e não estar em Roma. Ele me fez pensar no sentimento de gratidão e alegria que eu sentia naquele momento e me disse: "quero que todos se sintam amados, quero que todos possam saber que eles também foram chamados para ser santos e que a eles também são dadas a graça e a paz de Jesus Cristo". Deus não precisaria ter me levado a Roma para reacender essa paixão. Mas Ele quis fazer assim. E tudo o que eu consigo dizer, ainda com a voz emocionada e os olhos chorando de alegria, é grazie, Dio! - Piazza dei Cinquecento, Roma, 8.40am - 26/09/2008

 

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